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“Talvez Dostoiévski venha a ser
para mim o que Dante foi para Michelangelo”, declarava Max Beckmann ao
editor Reinhard Piper há pouco mais de um século, em agosto de 1912. Não
poderia ter resumido de forma mais sucinta o lugar de Dostoiévski no
universo intelectual do Expressionismo alemão: mais que um escritor
entre outros, o romancista russo viu-se elevado à condição de profeta,
de visionário da era moderna – digno, portanto, do esforço de tradução imagética a que Beckmann alude.
O marco inicial dessa ambição coletiva foi justamente, naquele ano de 1912, uma série de desenhos de Beckmann sobre Recordações da casa dos mortos.
A partir daí, dezenas de nomes ligados ao Expressionismo alemão
contribuíram seu quinhão, maior ou menor, para esse veio de criação
visual: Beckmann, Kubin, Heckel, Segall, Möller, Burchartz são apenas
alguns dentre os muitos que se empenharam em dar rosto ao Raskólnikov de
Crime e castigo, ao príncipe Míchkin de O idiota, à pobre heroína de Uma criatura dócil ou à multidão de personagens de Os irmãos Karamázov.
Reunindo desenhos, gravuras e livros, a exposição Noites brancas
apresenta algumas das peças-chave dessa tradição em preto e branco, que
se estendeu da Munique da década de 1910 ao Rio de Janeiro de 1944 – ano
em que a editora José Olympio empreendia a publicação em português das Obras completas
de Dostoiévski, em volumes ilustrados por artistas como Oswaldo Goeldi e
Axl Leskoschek, e assim escrevia o inesperado epílogo brasileiro dessa
história alemã.
Samuel Titan Jr.
Curador
Serviço
Exposição Noites brancas: Dostoiévski ilustrado
Abertura dia 27 de julho, às 17h00
de 27 de julho a 29 de setembro de 2013
Diariamente das 11h00 às 19h00
Fechado às terças-feiras
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